Zona restrita em Peniche

A APPSA a pedido dos seus associados da zona de Peniche, pediu uma reunião com a Capitania local, que se realizou no passado dia 2 de Novembro, com vista a tentar encontrar uma solução para uma questão que todos os anos resulta numa série de autos, devido à passagem de pescadores submarinos na zona protegida, onde se encontra o navio San Pedro de Alcântara.

Esta é uma zona interdita à pesca submarina.

Esta restrição causa problemas aos praticantes que embora entrem pelo lado sul da Papôa para pescar na zona legal, nas situações em que o mar se altera sem se esperar neste quadrante, tentam chegar à zona abrigada a norte (Pedra Linho do Mar), para saírem do mar em segurança.

É precisamente nestas ocasiões que algumas vezes a Polícia Marítima cumprindo o seu dever e fazendo cumprir a legislação em vigor, autua os praticantes pela presença em zona restrita, que compreende quase toda a área norte da península.

Nesta reunião a APPSA fez-se representar pelo seu presidente Armando Maçanita, que foi gentilmente recebido pelo Capitão do Porto de Peniche, o Comandante Serrano Augusto.

Discutidas as matérias acima descritas, propôs-se o Capitão do Porto a analisar as propostas avançadas pela APPSA que seguirão em ofício e que visam ou a anulação da restrição da pesca submarina na zona, ou encontrar uma solução que permita viabilizar, a passagem dos praticantes em condições adversas com vista a preservarem a sua segurança.

Discutindo as várias hipóteses e acordando que não serão com certeza os pescadores em apneia, o real perigo para retirar eventuais artefactos submersos dada a inviabilidade óbvia e pelo parecer positivo do Capitão do Porto, dependerá dos organismos nacionais, responsáveis pela arqueologia marinha, o parecer, que permita o levantamento da restrição em vigor.

Foram também sugeridos alguns cenários e regras que permitam em caso de necessidade a passagem pela zona restrita, sem incorrer em contra-ordenação. Salvaguardando com eficácia, por um lado a acção de fiscalização e por outro, a legalidade do pescador submarino.

A abertura ao diálogo e a vontade expressa de encontrar uma solução por parte do Comandante Serrano Augusto, deixa-nos esperançosos em resolver um problema que assola os praticantes locais e todos os que visitam aquelas águas.

O Naufrágio

O San Pedro de Alcântara era um navio de guerra espanhol com 64 canhões. Naufragou em 2 de Fevereiro de 1786 perto dos rochedos da península da Papôa em Peniche. Foi descoberto em 1977 pelo arqueólogo francês Jean-Yves Blot e é um dos naufrágios mais bem estudados da costa portuguesa.

O navio transportava uma carga excepcional de mais de 150 toneladas de moedas de ouro e prata, e 600 toneladas de cobre, à qual se deve juntar o peso dos seus 64 canhões, de um lastro de quase 140 toneladas de pedra, de 100 toneladas de quinquina (planta sul americana), de seis toneladas e meia de cacau, e por fim da água e da alimentação necessária para o quotidiano a bordo. Vergado pelo excessivo peso da sua carga, viria a naufragar na costa de Peniche desencadeando durante os três anos seguintes uma gigantesca operação de salvamento que, permitindo a recuperação de cerca de 90% da carga transportada, abalou a pacatez do quotidiano penichense.

Na sequência do naufrágio do navio espanhol San Pedro de Alcântara no qual viajavam cerca de quatrocentas pessoas, terão perecido neste fatídico acontecimento 128 passageiros.

A APPSA