Caros companheiros.

Finalmente, depois de algumas peripécias processuais associadas ao registo da nossa associação, a APPSA passou a ter personalidade jurídica e os seus corpos-gerentes eleitos.

Agora há muito trabalho pela frente!

É necessário chegar à sociedade civil e informá-la das virtudes da pesca submarina, sobretudo quando comparada com as outras formas de pesca; há que informar, esclarecendo, que a nossa forma de pescar é a mais amiga do ambiente e a mais leal.

Há que contrariar a tendência crescente de proibir, em alguns locais, a prática da nossa actividade! Aqui o combate é mais político mas insere-se na esfera da defesa dos nossos direitos, da nossa qualidade de vida, num contexto de fruição ambiental onde nós e a natureza temos de coexistir. Sermos banidos desta coexistência, como sucede em toda a extensão de costa que vai desde a Arrábida, passa por Sesimbra e o Cabo Espichel e só termina na Praia da Foz, é uma medida fundamentalista, provinciana, ao arrepio das regras mais elementares de equidade entre a preservação ambiental e o seu usufruto. Estamos convictos de que não havendo uma reacção enérgica, obviamente sustentada por uma argumentação sólida, científica e pautada pelo bom senso, outras proibições como esta irão surgir pelo país fora. Por isso e para este combate, precisamos do apoio e da compreensão de todos os praticantes, quer estejam sediados no norte, no centro, no sul ou nas ilhas.

Mas o nosso trabalho tem outras frentes.

Por exemplo, a APPSA quer também, a curto prazo, pedir reuniões junto dos organismos que interferem com a nossa actividade, como sejam, entre outros, os Ministérios do Ambiente e da Agricultura e Pescas e a Marinha, dizer-lhes que existe e que quer passar a ser ouvida e a intervir nas discussões e nos projectos de lei que visem regular a prática da pesca submarina. É um trabalho de bastidores é verdade, dá pouca visibilidade bem sabemos, mas mais do que nunca se afigura fundamental.

Quer também esta direcção restabelecer o espaço de tertúlia, comum nos anos setenta e oitenta e que estimulava a cavaqueira de tantos companheiros, ali para os lados do Dafundo... Conversas, colóquios, esclarecimentos, exposições, venda de usados, projecções, filmes, caçadores de competição convidados, enfim, tudo isto faz parte de um cardápio tertuliano que urge restaurar e que consta da linha programática desta direcção.

O apoio jurídico ao praticante associado está ainda nos nossos horizontes. A forma como o vamos fazer dependerá, naturalmente, da maneira como evoluirmos enquanto associação.

Mas não nos iludamos!

Tudo aquilo que fizermos daqui para a frente, bem como a nossa capacidade de insinuação dependerá do apoio da nossa base de associados. Por muita que seja a vontade e o desejo de sucesso, este ficará limitado à partida por uma legitimação fraca e insipiente. De facto, não podemos intitular-nos como os representantes legítimos dos praticantes lúdicos de pesca submarina deste país e contarmos apenas com algumas dezenas de associados expressos. E não é de fundos que estamos agora a falar, se bem que estes sejam essenciais ao funcionamento desta e de qualquer associação - é mesmo de pessoas, de número, de massa crítica...da razão da nossa existência!

Por isso, o futuro desta associação está sobretudo no empenho de todos nós. Com o apoio de todos estamos certos de poder vir a transformar a APPSA numa grande associação e dar-lhe um futuro muito longo.

Para já, existimos! E isto é só o princípio.


José de Sousa
Presidente da Associação

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